O Apelo à Ignorância (argumentum ad ignorantiam) é uma falácia lógica onde se afirma que uma proposição é verdadeira apenas porque não foi provada falsa, ou vice-versa … ela ignora o ônus e a ausência da prova.
- Ônus da Prova … significa a responsabilidade de provar a veracidade de uma afirmação recai sobre quem a faz.
- Ausência de Prova … não encontrar provas de erro não é equivalente a provar a verdade ou não verdade, ou seja, assumir que uma premissa è verdade apenas porque não foi provada falsa.
- Frequência … é uma falácia muito comum, aproveita a nossa tendência humana de preencher lacunas de conhecimento com certezas.
- Justificar Erros e Riscos … erra por não se basear em fatos, avaliar que um erro erro justifique outro.
- Usa o desconhecimento ou omissão ... para ganho ou lucro rápido ou pessoal.
- Avaliações e auditorias superficiais … criar uma falsa sensação de segurança e conformidade, mascarar riscos operacionais, financeiros e de conformidade que podem levar a sérios prejuízos, penalidades legais e perda de credibilidade.
- Falha em identificar a causa raiz de problemas … resulta em registros ineficazes e na repetição de desvios.
- Negligência para a tomada de decisão … não fazer o que deve ser feito. supor ou confundir ausência de informações, notícias negativas ou falta de medidas e indicadores, para a tomada de decisão sem a necessidade e presença de fundamentos sólidos e auditáveis.
- Usar a ignorância … sobre eventos e comportamentos futuros como ferramenta para tomar decisão.
A falácia do apelo a ignorância é perigosa porque inverte o ônus da prova, permite que falsidades sejam transformadas e aceitas como verdadeiras apenas pela falta de evidências contrárias.

Pontos de Atenção.
Aprendizado, ensino, aplicação e práticas da lógica na empresa.
- Estudar, evitar e tratar falácias é uma forma de desenvolver a lógica na empresa e grupos sociais.
- Se conscientizar da importância de dar atenção à lógica um pilar fundamental da filosofia, ciência, arte e sabedoria.
- Aprender a identificar, validar e garantir argumentos convincentes, sólidos e verdadeiros.
- Desenvolver motivação intrínseca à partir da razão gerada pelo raciocínio lógico.
- Equilibrar conhecimento (saber), habilidade (fazer) e comportamentos (interagir) para o raciocínio lógico.
- Estudar lógica de argumentos, lógica formal, lógica informal e os tipos de falácias.
- Usar a lógica para transferir competências entre áreas de negócio e gestão.
- Basear decisões em dados positivos e evidências ativas, e não na ausência de informação ou de provas contrárias
Exemplos de Falácia de Apelo à Ignorância na Empresa.
Falácia Contabil de Apelo a Ignorância … exemplos … 1) não necessidade de validação – quando um saldo ou registro é presumido correto pela ausência de evidência contrária e ignora a necessidade de validação … 2) auditoria falha – “o caixa está correto, pois não foram encontrados erros nos testes realizados” (quando os testes foram superficiais) … 3) avaliação de ativos – considerar que o valor de mercado deste intangível é “x“, já que ninguém provou que vale menos” … 4) provisões fiscais – não provisionar riscos fiscais, pois a fiscalização nunca autuou a empresa por isso … 5) auditoria x conformidade … confundir auditoria (processo sistemático) com evidência de conformidade (verificar … 6) qualquer pensamento ou ação contábil que fere a fórmula geral ou lógica da contabilidade é uma falácia ….
Falácia Financeira com Apelo a Ignorância …exemplos … 1) erros de regras financeiras – que levam a decisões economicas e financeiras ruins … 2) investimento em projetos – basear em suposições, ignorar o ônus da prova e aumentar drasticamente os riscos…. 3) especular ou negociar ativos (ações, moedas, commodities) para lucro rápido com oscilações de curto prazo, baseada em tendências e alto risco … 4) validar o risco no investimento – por falta de histórico … 5) supervalorizar ativos – não relevantes ou obscuros … 6) não avaliar ou errar a avaliação do risco – não considerar possíveis provisões de perdas, multas em litígios juridico financeiros … 7) fazer previsões ignorantes – de crescimento de produção, custos e receitas subjetivas sem histórico de dados e evidências que suporte o cenário projetado e evidências contrárias … 8) falta de transparência – não evidência de erros é confundida com prova de competência … e assim por diante.
Falácia na Venda com Apelo a Ignorância … exemplos … 1) afirmar sem evidências … produto é bom, seguro ou eficaz simplesmente porque ninguém reclamou ou provou o contrário, 2) produto concorrente … argumentar que o produto é ruim porque ninguém provou quje é bom, 3) confiabilidade e segurança … confundir falta de prova de risco com prova de segurança, 4) qualidade … nunca recebi esse tipo de objeção sobre a qualidade do produto (ou característica), portanto ele tem qualidade), 5) competitividade …pelo fato do concorrente não conseguir ter provado que a solução deles é melhor nesse aspecto, estão o nosso produto é melhor, 6) benefícios não comprovados … explorar a falta de conhecimento do consumidor para vender benefícios não comprovados … e assim por diante.
Falácia na Gestão com apelo a ignorância … 1)processo e risco … não temos reclamação ou feedback negativo então não há falhas de processo … ignora que os clientes não se deram ao trabalho de reclamar e sim de escolher outro provedor, 2) gestão de produto … ninguém está pedindo essa funcionalidade, então não há mercado para ela – a falta de demanda ativa (ignorância) não prova que um produto não será bem-sucedido se for bem posicionado, 3) tomada de decisão … nunca falhamos em um projeto, logo teremos sucesso no projeto x, 4) competição … o concorrente tem esse ponto fraco, então ele não é uma ameaça, quando existem e são ignorados multiplos fatores concorrenciais) não éo único fator de ameaça, 5) cultura organizacional …. ninguém nunca fez dessa forma, logo não vai funcionar ( usar o não saber para bloquear inovações), 6) gestão de projeto … a ausência de risco é risco zero, não ter notícias é uma boa notícia, isso mé viável porque ninguém provou o contrário, assumir qualiddae sem testes, aplicações e resultadois consistentes, adiar decisões por falta de evidências absolutas … e assim por diante.

Conclusão.
A falácia do apelo á ignorância é comum e perigosa … e seu estudo e conhecimento serve como ferramenta para entender a aplicação da lógica na vida, nos negócios e na empresa … características, aplicações e benefícios do uso.
- A falácia com “apelo à ignorância” transfere o ônus da prova, assume premissas arriscadas como verdadeiras apenas pela falta de informações contrárias disponíveis no momento.
- Ela ancora outras falácias e pode ser intencional ou não.
- Se intencional agride a ética que estuda a moral e as intenções.
- Se não intencional, carece que seus princípios, conceitos, ferramentas, objetos e teorias do conhecimento de uma área de conhecimento e gestão seja revistos.
- O perigo, risco e erro fundamental é ignorar o ônus da prova, que cabe a quem afirma o potencial de ganho (ou poerda), verdade (ou falso) de alguma coisa
- Afirmar que algo é falso (risco) (A) não significa (implica, condiciona) que a afirmação (ganho) seja verdadeira.
- A ausência de evidências é apenas ignorância sobre o assunto, que deve ser tratada, não uma justificativa para tomada de decisão.
- A ausência de evidência não é evidência de ausência, já que a regra da lógica, do raciocínio correto, “se a implica b, isso não quer dizer que b implica em a”.
- A regra correta da causalidade de a como causa de b: se não existe a então não existe b.






